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Implementação

Auditoria de rotas em distribuição de bebidas: o que olhar primeiro

30 de abril de 20266 min de leituraFelgor
Este artigo é sobre FELGOR Rotas

A rota foi montada há três anos, quando o portfólio era outro, o cliente Y ainda não existia, e o caminhão saía às 6h. Hoje saí às 5h30, o portfólio dobrou, o cliente Y faz 8% do giro — e ninguém revisou o sequenciamento. Esse é o ponto de partida da maioria das auditorias de rota em distribuição de bebidas. O problema não é falta de roteirizador. É falta de olhar pra rota com a frequência que a operação muda.

Este artigo é pra supervisor, gerente ou diretor de logística que precisa começar a auditoria e não sabe por onde. São cinco verificações que cabem no primeiro dia, devolvem evidência rapidamente e mostram quanto a operação pode economizar antes de qualquer investimento em ferramenta nova.

Por que distribuição de bebidas tem mais drift que outras

Distribuição capilar de bebida tem três características que aceleram a degradação da rota:

  • Sazonalidade marcada — verão muda volume, mix e densidade de visita por PDV
  • Ponto extra e ativação — gôndola que estava na padaria muda pra mercearia em três meses
  • Rotatividade de PDV — bar abre, bar fecha, conveniência troca de bandeira

Em três meses, a rota desenhada no início do trimestre já não bate com a realidade. Em um ano, está completamente fora do ótimo. Mas o roteirizador continua rodando o mesmo plano, porque ninguém tem tempo de refazer 200 rotas no Excel — e refazer no roteirizador exige reimportar cadastro, repassar regra, validar manual.

A auditoria não substitui essa atualização. Ela mostra onde o desalinhamento dói mais.

Verificação 1: rotas sobrecarregadas estouram a jornada

Comece pela jornada do motorista. Em qualquer operação capilar de bebida, existem rotas que estão entregando além do que cabe na jornada legal — e o motorista está virando hora extra silenciosa, ou cumprindo informalmente, ou pulando entrega.

Como olhar:

  • Pegue o histórico operacional dos últimos 30 dias por rota
  • Calcule o tempo médio de jornada (saída do CD até retorno)
  • Compare com o limite legal acordado (tipicamente 8h44 com refeição)
  • Marque toda rota que excede 5% das jornadas

A rota sobrecarregada raramente está sobrecarregada por volume. Quase sempre é por sequenciamento ruim — paradas distantes empurradas pro fim, retorno improdutivo ao CD, espera em PDV de janela apertada.

Verificação 2: clientes mal alocados entre rotas vizinhas

Esta é a verificação que mais devolve economia rápida. Em toda operação capilar tem cliente que está numa rota mas geograficamente pertence a outra — porque o cadastro foi feito no carimbo do bairro, ou porque a rota foi desenhada antes do PDV existir.

Como olhar:

  • Plote num mapa todos os PDVs com sua rota atual codificada por cor
  • Procure clusters de cor errada — três PDVs azuis no meio de uma área verde
  • Calcule quantos quilômetros a rota azul gasta indo até esses três PDVs
  • Compare com quantos quilômetros a rota verde gastaria reabsorvendo

Cliente mal alocado é a fruta mais baixa da auditoria. Mover um único PDV de uma rota pra outra mais próxima costuma economizar entre 8 e 15 km/dia, todos os dias, pra sempre — até alguém remover de novo.

Verificação 3: densidade de visita não bate com peso comercial

A rota foi desenhada num momento. O peso comercial dos PDVs mudou. Mas a frequência de visita continua igual.

Como olhar:

  • Liste a frequência semanal de visita por PDV
  • Cruze com o volume comercial dos últimos 6 meses por PDV
  • Procure dois padrões anormais:
    • PDV alto-giro com baixa frequência (perdendo venda por ruptura)
    • PDV baixo-giro com alta frequência (gastando rota com cliente que não compra)

A correção pode ser delicada — frequência de visita é negociada com cliente, e mudar costuma exigir conversa comercial. Mas listar onde está desalinhado já vale: dá ao comercial argumento pra renegociar e à operação foco pra otimizar.

Verificação 4: tempo médio em cliente que ninguém modela

A maioria dos roteirizadores trata "tempo em cliente" como variável fixa: 12 minutos, 15 minutos, número padrão. Mas o tempo real varia muito:

  • Pequena mercearia → 5-8 minutos
  • Bar com sortimento alto → 15-25 minutos
  • Conveniência de posto → 10-12 minutos
  • Padaria com ponto extra → 20-30 minutos
  • Atacarejo (entrega) → 30-90 minutos

Quando o roteirizador trabalha com média estática, ele superestima rotas curtas e subestima rotas pesadas. Resultado: rota que deveria caber em 8h estoura em 10h. Rota que deveria render mais entrega tem motorista batendo ponto cedo.

A auditoria nesta camada exige histórico real — tempo de chegada e saída por PDV, não estimativa. Se a operação tem rastreador veicular, o dado já está lá. Se não tem, precisa ser coletado por uma semana antes de começar.

Verificação 5: a rota de verão não pode ser a de inverno

Distribuição de bebida tem sazonalidade, e a maioria das operações tem dois padrões muito diferentes ao longo do ano:

  • Verão — volume alto, frequência alta, peso por cliente alto (cerveja, refrigerante, água)
  • Inverno — volume baixo, frequência menor em alguns clientes, mix muda (mais quentes, menos geladas)

Se a operação roda a mesma rota o ano todo, está perdendo nos dois extremos: rota saturada no verão (motorista virando), rota gastando combustível com PDV de baixo giro no inverno.

Como olhar:

  • Pegue o volume mensal por rota dos últimos 24 meses
  • Identifique meses de pico e meses de vale
  • Calcule a variação percentual: rota saudável tem variação abaixo de 30%, rota desbalanceada acima de 50%
  • Marque pra revisão sazonal as rotas com variação alta

Em geral, vale ter pelo menos dois desenhos por ano — um pra alta temporada (outubro-março), outro pra baixa (abril-setembro). E auditar cada um em separado.

O que sai do primeiro dia de auditoria

Cinco verificações, executadas em sequência, num supervisor experiente leva um dia inteiro pra cobrir 100-200 rotas. O entregável é uma planilha com:

  • Lista de rotas sobrecarregadas com horas de excedente
  • Lista de clientes mal alocados com economia estimada de km
  • Lista de PDVs com frequência desalinhada do giro comercial
  • Lista de rotas com tempo em cliente desalinhado da realidade
  • Lista de rotas sem ajuste sazonal

Com isso na mão, a próxima decisão da operação é: revisar manualmente essa lista no roteirizador (caro, demorado, vira projeto) ou adotar auditoria contínua (rodando todo dia, devolvendo recomendação priorizada por impacto financeiro).

A primeira opção devolve economia uma vez. A segunda devolve economia recorrente. Mas as duas começam aqui — com as cinco verificações deste artigo.

Próximo passo

Se faz sentido pra sua operação, a FELGOR Rotas automatiza essas cinco verificações todo dia, sem ninguém precisar refazer planilha. Se quiser ver isso aplicado no contexto da sua distribuidora antes de qualquer contrato, agende um diagnóstico de 30 minutos com os fundadores.

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