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Implementação

Inspeção visual de PCB: o que automatizar primeiro com foto

30 de abril de 20265 min de leituraFelgor
Este artigo é sobre FELGOR Check

Linha de PCB séria já tem AOI (Automated Optical Inspection) na linha. Câmara fixa, software dedicado, integração com MES. Pra quê adicionar inspeção visual por celular? Resposta: AOI tradicional tem pontos cegos, e o que escapa dele costuma ir pro campo. Esse artigo é pra gerente de qualidade e supervisor de produção em fábrica de PCB que quer entender onde inspeção por foto complementa AOI sem substituir.

O que AOI faz bem

AOI moderno é maduro. Cobre:

  • Componente faltante ou rotacionado
  • Solda em posição (presença de solda nos terminais)
  • Polaridade de componente polarizado
  • Tombstone (componente em pé)
  • Dimensão geral do board

Tudo isso em segundos por placa, com taxa de detecção alta, sem fadiga humana. AOI é absurdamente bom no que foi treinado.

Onde AOI tem ponto cego

A limitação não é da tecnologia. É de enquadramento. AOI tradicional foi desenhado pra:

  • Câmera fixa, posição fixa
  • Iluminação controlada (anel de LED, padrão calibrado)
  • Imagem de cima, plana, padronizada
  • Catálogo fechado de defeito, treinado em fase de setup

Tudo o que está fora desse enquadramento, ele não vê. Especificamente:

Defeito visto de lado. Solda fria em terminal lateral só aparece olhando a placa de ângulo, não de cima. AOI de top-down passa batido.

Defeito que aparece após tratamento térmico. Microtrinca em solda BGA depois do resfriamento, descolamento de pad — defeito que não estava lá quando o AOI viu, mas apareceu depois.

Defeito no encapsulamento ou montagem final. Placa fora do AOI, em estação de teste manual, embalagem, montagem em case. Tudo isso fica sem cobertura visual.

Defeito raro / variante de produto novo. AOI precisa ser treinado pra cada produto. Produto novo entra em produção, AOI ainda não foi calibrado, primeiras 100 placas vão sem inspeção automatizada.

Onde inspeção por foto entra

Foto pelo celular do inspetor cobre exatamente esses pontos cegos:

Inspeção lateral. Inspetor pega a placa pós-AOI, fotografa de ângulo, sistema procura solda fria em terminal lateral.

Inspeção pós-resfriamento. Estação 30-60 minutos depois do refluxo, inspetor amostra placas, fotografa, sistema procura microtrinca, descolamento.

Inspeção em montagem final. Antes de fechar o case, foto do conjunto completo, sistema confere componentes que AOI não viu (cabo, conector, etiqueta).

Inspeção em produto novo sem AOI calibrado. Inspetor humano sempre olharia primeiras placas. Sistema apoia — fotografa, devolve pontos suspeitos, inspetor decide. Modelo aprende junto.

Os 4 defeitos mais comuns que AOI não pega

Solda fria em terminal lateral. AOI top-down vê presença de solda na superfície do terminal, mas não enxerga se a fusão lateral aconteceu. Defeito que aparece em campo como falha intermitente.

Microtrinca em BGA pós-refluxo. Bola de solda parece ok no AOI, depois resfria com tensão térmica e quebra. Só aparece em raio-X ou em foto detalhada com ampliação.

Trilha aberta por mordedura de borda. Placa cortada de panel com leve acabamento ruim. AOI não detecta porque está fora da área esperada de inspeção.

Componente correto mas com marcação errada. Resistor de 10kΩ no lugar onde deveria ser 100Ω, ambos com encapsulamento idêntico. AOI conferiu encapsulamento. Marcação na superfície (que distingue) só humano lê.

O fluxo na prática

Em linha de PCB com volume médio (5-20 mil placas/dia), o fluxo combinado funciona assim:

  • Estágio 1 — AOI inline: todas as placas, foco em montagem (componente faltante, polaridade, solda presente)
  • Estágio 2 — inspeção visual humana com foto: amostra estatística (5-15% das placas), foco em pontos cegos do AOI
  • Estágio 3 — inspeção em montagem final: placas que vão pro case, foto do conjunto antes de fechar
  • Estágio 4 — first article inspection (FAI): primeiras placas de produto novo, foto detalhada pra alimentar treinamento futuro

Sistema aprende com cada validação humana. Em 4-8 semanas, modelo cobre razoavelmente os defeitos específicos da planta.

Quem decide é o inspetor humano

Importante: foto não substitui inspetor. Sistema devolve imagem anotada com pontos suspeitos. Inspetor olha, confirma ou descarta. Cada decisão alimenta o modelo.

Em planta com inspetor sênior, a velocidade dele dobra ou triplica — porque o sistema fez a varredura e ele só valida o que foi flagrado. Em planta com inspetor júnior, o modelo serve como mentor — mostra onde olhar, e o júnior aprende mais rápido.

Quando NÃO vale

  • Volume muito baixo (menos de 500 placas/dia) — AOI já cobre, marginal não justifica.
  • Produto extremamente padronizado, sem variação — AOI calibrado uma vez resolve. Foto é redundante.
  • Operação que não tem disposição de manter modelo — modelo precisa de validação contínua nos primeiros meses. Sem isso, taxa de falso-positivo mata a confiança.

Próximo passo

Se faz sentido pra sua linha, a FELGOR Check implementa esse fluxo treinado nos defeitos específicos da sua produção. Se quiser ver aplicado antes de qualquer contrato, agende um diagnóstico de 30 minutos com os fundadores.

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