Como provar share-of-shelf em reunião com o Carrefour
A reunião com o comprador do Carrefour é trimestral. Tem 45 minutos. O comprador chega com a planilha de sell-out do trimestre na mão, abre num número que não favorece sua marca, e pergunta: "por que devo manter seu espaço?". Se o KAM não tem evidência visual do que está acontecendo na gôndola, a conversa vira "achismo vs dado" — e o comprador tem o dado.
Este artigo é pra KAM e gerente de trade que precisa chegar com evidência na próxima reunião com varejo grande. Foco em Carrefour, mas vale igual pra Assaí, Atacadão, Pão de Açúcar, Big.
O que comprador de varejo grande olha
Antes de montar o material, vale entender o que o comprador valoriza. Em rede grande, três coisas movem decisão de espaço:
- Sell-out por metro linear (revenue por centímetro de gôndola)
- Giro do estoque (rotação semanal do SKU)
- Margem de contribuição (margem absoluta × volume)
Compra pesa esses três e decide. O que não pesa sozinho: market share genérico de mercado, propaganda nacional, brand equity. Esses são argumentos de marketing. Comprador não compra marketing.
A boa notícia: share-of-shelf bem demonstrado conecta os três. Se sua marca tem share-of-shelf adequado e gira, é argumento óbvio pra manter ou expandir espaço. Se tem share-of-shelf inadequado e gira mesmo assim, é argumento mais forte ainda — o varejo está perdendo venda por subexposição.
Por que evidência atual é fraca
A maioria dos KAMs chega na reunião com algum desses materiais:
- Foto solta no celular — anedota, não dado
- Planilha do promotor com check/não-check — sem visual, fácil de contestar
- Auditoria mensal terceirizada — chega defasada, sem foto da loja específica
Nenhum desses convence o comprador. Foto isolada vira "isso foi só nesse dia". Planilha sem foto vira "seu promotor anotou errado". Auditoria genérica vira "isso foi a média da rede, e na minha loja específica não é assim".
O que convence: série temporal com evidência visual das lojas específicas que o comprador gerencia.
A estrutura do deck que funciona
Em 18 slides, o KAM consegue cobrir:
Slide 1-3: O que está acontecendo
- Foto da gôndola da semana passada, da loja X (que o comprador supervisiona)
- Mesma gôndola há 4 semanas, mesmo PDV
- Mesma há 8 semanas
- Visual claro de como o espaço da marca evoluiu (caiu? cresceu? estável?)
A foto resolve o problema de credibilidade. Comprador olha e reconhece a loja dele.
Slide 4-7: Quanto a marca tem vs concorrência
- Share-of-shelf por categoria nessa loja específica nas últimas 12 semanas
- Comparação com concorrente direto (top 1, top 2)
- Share-of-shelf vs share-of-sales (se tem 15% do espaço e faz 22% da venda, está subexposto)
Aqui o KAM mostra subexposição quantificada. Se a marca está fazendo mais venda do que justifica o espaço, é argumento direto pra ampliar.
Slide 8-11: O que está dando errado
- Lista de rupturas detectadas nas últimas 4 semanas, por SKU, com data e foto
- Tempo médio de ruptura (do detectado ao reposto)
- Estimativa de venda perdida por ruptura
Ruptura é o argumento mais forte porque é problema do varejo, não da marca. O varejo está perdendo venda dele com produto da sua marca não disponível.
Slide 12-15: O que daria pra fazer
- Proposta de planograma ajustado
- Estimativa de impacto em sell-out (não em market share — em sell-out direto da loja)
- Plano de ativação que sustenta o ajuste (campanha, ponto extra, treinamento de promotor)
Slide 16-18: O pedido
- Pedido específico (não "mais espaço", mas "expandir SKU X de 2 frentes pra 3 nas 12 lojas Y")
- Compromisso de execução (frequência de visita, alerta de ruptura)
- Próximo check-in (quando vão revisar)
Como gerar esse material sem virar projeto
A maior objeção pra montar esse deck é tempo. Trade marketing costuma ter 3-5 reuniões grandes por trimestre, cada uma exige material desse tipo, e ninguém tem 3 dias por reunião pra compilar.
A foto do promotor é o input principal. Quando o promotor já fotografa a gôndola na visita rotineira (não em projeto especial), o material acumula sem esforço. O que falta na maioria das operações é estrutura — sistema que recebe a foto, classifica SKU presente vs ausente, calcula share-of-shelf automaticamente, e gera deck pronto pra reunião.
Sem essa estrutura, o KAM gasta dia e meio compilando manualmente — fotos no WhatsApp, planilha de promotor, contagem de SKU no olho — e o deck nunca fica tão bom quanto poderia.
O erro mais comum: argumentar com share genérico
Última coisa: KAM novo costuma chegar na reunião argumentando com share-of-shelf médio da rede. Não funciona. O comprador do Carrefour responde por as lojas dele, não pelo Brasil. Argumento de share genérico vira "ok, mas e nas minhas?".
A reunião precisa ter dado da loja, do bairro, do bandeira-específica — e foto das lojas que ele supervisiona. Se tudo isso está consolidado, a conversa muda de "convença-me" pra "vamos resolver".
Próximo passo
Se faz sentido pra sua operação, a FELGOR Shelf gera esse tipo de material automaticamente a partir das fotos que o promotor já tira na visita rotineira. Se quiser ver aplicado no contexto da sua categoria antes de contratar nada, agende um diagnóstico de 30 minutos com os fundadores.
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